Domingo, 22 de Agosto de 2010

Crônicas 1

MÚSICA E COESÃO SOCIAL

Na Família, na Escola e na Comunidade

J. Jorge Peralta

 

1. O Povo Brasileiro, como o Português e outros, fazem da música o refrão de suas vidas. Cantam por toda a parte. A Escola não pode perder essa tradição. A música alegra o coração das pessoas e é um eficaz veículo de união e socialização.

 

A música popular, que da alma do povo brotou, como o sol da primavera, é uma força coletiva, capaz de cooperar para restaurar as forças perdidas, na educação das novas  gerações.

O canto aquece o coração das pessoas e eleva a alma e o psiquismo.

Em momentos  como este, de certo marasmo cultural, com a educação

em crise, em todas as suas dimensões, a música pode ser uma nova alavanca sócio-cultural da sociedade. A música, cantada em grandes ou pequenos grupos, no processo de educação, se adequadamente  selecionada, estimula a solidariedade e a coesão grupal e acalenta o coração. Alavanca a alma nacional e o sentido do universal da vida.

Na música, as pessoas cantam juntas, a mesma letra, a mesma melodia, o mesmo ritmo e o mesmo tom. Às vezes cantam e dançam.

Diz a sabedoria popular: quem canta, seus males espanta.

 

2. Ao propormos, novos paradigmas de uma sociedade próspera, em termos culturais e de bem-estar social, não podemos nos deixar cair na tentação de opor a cultura e o bem-estar  social, ao desenvolvimento técnico-científico e econômico. Antes, precisamos saber articular as duas dimensões. A cultura e a economia, são dois lados integrantes e intercomplementares da organização da vida na sociedade contemporânea. Separá-los é trilhar as sendas da decadência e do desequilíbrio sócio-cultural. Economia sem cultura  é como um corpo sem alma, sem vida, sem entusiasmo.

 

3. As canções conhecidas como folclóricas, ou música popular, cantadas em coro, com ou sem movimentos, dão nova vida e novo alento às crianças e aos adolescentes, em hora de entretenimento.

A educação musical, hoje tão esquecida e abandonada, é um instrumento fundamental para criar, na escola, um espírito coletivo de

 

solidariedade, união e auto-estima. O canto e a música alegram o coração das pessoas e da nação.

 

Não é compreensível que um instrumento tão eficaz de coesão grupal esteja sendo alijada de uma escola, onde já prestou tão bons serviços. A não ser que tenhamos como objetivo a degradação da nação. Solidariedade pratica-se, antes de ser teorizada.

Perdendo a música de raiz, a escola se racionaliza, e se intelectualiza, em abstrações pouco estimulantes e pouco convincentes, buscando uma produtividade impossível, sem recursos didáticos, adequados ao despertar de uma nova força entre todos os envolvidos: alunos e professores.

Quando falo em Música de Raiz, refiro-me às músicas que elevam o sentimento de solidariedade da sociedade sem qualquer viés de política partidária.

A música faz parte do projeto “Escola Viva e Ativa”, que patrocinamos, ainda não publicado.

Se a escola desenvolvesse, regularmente, estudo e prática da Música, grandes beneméritas empresas de São Paulo, algumas quase centenárias, especializadas em produtos para o ensino e prática musical, não estaria em sérias dificuldades econômicas, algumas já fechando as portas.

 

4. Os educadores e as organizações comunitárias, formais ou informais seriam verdadeiros guardiões da tradição musical de nosso povo. No entanto, estes estão perdendo seu discurso. Os grandes meios de comunicação vão abafando e silenciando suas vozes, uma a uma.

A música é a alma de uma sociedade atuante e comunitária que vai sendo extinta, e sucedida por uma sociedade individualista, egoísta e esteriotipada.

A música é atividade social de primeira grandeza.

Fala ao espírito  e ao coração e estabelece elos de união.

Apelamos então para que as pessoas responsáveis devolvam a música  e o canto à escola e a todas as atividades sócio-culturais da comunidade: a música em que toda a platéia sejam o cantores.

 

5. No site “Música da Lusofonia”

< http://musicadalusofonia.blogs.sapo.pt > dou partida para o início de uma seleção de músicas, que podem prestar  um bom serviço à comunidade e aos especialistas, na promoção da coesão social grupal, e na descoberta da música, como um grande potencial, nos processos de educação e vivências comunitárias.

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publicado por musicadalusofonia às 12:49
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